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Amigo Constantino

"Felicidade em pessoas inteligentes é a coisa mais rara que conheço" Ernest Hemingway

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26
Mar20

COVID 19 - AS EMPRESAS E OS RECURSOS HUMANOS

Boa tarde a todos,

Espero uma vez mais, encontra-los bem de saúde e de preferência em casa, resguardados deste vírus.

Na ultima publicação comentei as medidas de apoio que o Estado lançou para ajudar as empresas durante este período, hoje estou aqui para comentar o aquele que é o meu calcanhar de Aquiles, o lado dos recursos humanos.

Trabalho numa empresa com 32 funcionários no total, onde 24 trabalham em meio fabril e de contacto com o publico. Sou responsável por gerir o seu trabalho e garantir o bom funcionamento de toda a estrutura, e como é óbvio este tema teve um enorme impacto nessa árdua tarefa.

Vinte e quatro funcionários, homens, na sua maioria casados e com filhos com idades compreendidas entre os 30 e os 50 anos aproximadamente. O denominador comum é uma vez mais a preocupação e o medo de serem responsáveis por transmitir esta doença para o seio do seu lar... De ficarem doentes e não conseguirem garantir o sustento das suas famílias... O medo de um vírus invisível mas que, tendo em conta o que se está a passar noutros países próximos, é devastador...

Durante os primeiros dias fomos bombardeados com a ideia de inevitabilidade de um isolamento absoluto! E a maioria dos trabalhadores questionava se deveríamos ou não continuar a trabalhar. E aquilo que parece ser uma pergunta de resposta fácil, torna-se densa e complicada.

Olho para a minha equipa de trabalho como parte integrante de uma grande família, olhando para todos de frente e nunca de cima e respeito acima de tudo o contributo de cada um para o desenvolvimento do nosso trabalho e da nossa empresa. Reconheço que sem eles, o meu trabalho seria infrutífero e vice versa. Reconheço-os como amigos, e na maioria dos casos conheço as suas esposas e os seus filhos.E quando assim é fica difícil tomar posições, porque por mais que não queiramos acabamos por colocar o coração à frente da razão e do ponto de vista da gestão esse é um comportamento errado.

E esta forma de estar pôs-me entre a espada e a parede. E se algum ficar doente? E se existir uma fatalidade? Se alguém morrer? É a mim que me vão pedir satisfações! Sinto que estou a assumir uma responsabilidade que é do Estado! E isso deixou-me f... f... f... f... furioso. Ao ponto de ponderar colocar uma ação contra o Estado por danos morais... Mas isso será debatido mais tarde. 

A necessidade aguça o engenho e as horas sem dormir são úteis para raciocinar e procurar soluções e depressa percebi qual é o nosso papel na sociedade, e infelizmente, em Portugal e um pouco por toda a Europa as micro e pequenas e médias empresas são o pilar da economia. Somo sugados pelo estado com impostos e mais impostos e mantemos todo este circo a funcionar. Então tornou-se evidente que teríamos de trabalhar até às ultimas consequências.

Tal evidencia obrigou-me no mínimo a procurar condições para tal. Já que vamos ter de trabalhar tenho no mínimo de garantir que o fazemos com segurança. Precisava de encontra mascaras FFP2 e desinfetante para as mãos para poder distribuir pelos funcionários o que se revelou impossível, não há mascaras, nem álcool, nem desinfetante em lado nenhum. Até que me lembrei de recorrer a uma entidade que considerava responsável que foi a Proteção Civil, em baixo deixo a troca de correspondência, ocultando o nome de todos os intervenientes:

pcivil.png

Traduzindo para miúdos o esclarecimento da Proteção Civil fica a clara ideia de que não há meios.. E pelo que percebo não existem meios em lado nenhum.. Pelo que não nos resta opção se não trabalhar desprotegidos, nós, os médicos, os colaboradores de supermercado, os enfermeiros, os bombeiros, etc.

Felizmente consegui "desenrascar" alguma desinfetante para as mãos, mas máscaras ainda não consegui adquirir. Mesmo acreditando que não existe evidencia cientifica que comprove que a utilização de equipamentos de proteção previnem na propagação do vírus (segundo a DGS) é um facto que existe esse sentimento junto da população. Logo se conseguíssemos munir as empresas de equipamentos de proteção os seus trabalhadores ficariam mais confortáveis e mais disponíveis para trabalhar.

Em toda esta ausência de esclarecimentos, no mínimo, parece-me que devia de existir um apoio, um subsidio de risco para quem se encontra a laborar. Independentemente de ser médico, enfermeiro, bombeiro, pedreiro, calceteiro, serralheiro ou o que for. Se está exposto ao risco, e se o risco de exposição é real, tem de existir um mecanismo de apoio. Caso contrário prolifera o sentimento de que estão uns a trabalhar para outros ficarem em casa, e quando esse sentimento entranhar na cabeça das pessoas a economia irá paralisar, a bem ou a mal.

Se os médicos são heróis, e são, por estar a salvar os doentes. Os trabalhadores também devem ser considerados heróis pois estão a salvar a economia.

Merecíamos mais respeito. Mas hoje em dia, o respeito está escasso.

Um abraço a todos, que abraços só mesmo por aqui...

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