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Amigo Constantino

"Felicidade em pessoas inteligentes é a coisa mais rara que conheço" Ernest Hemingway

Amigo Constantino

"Felicidade em pessoas inteligentes é a coisa mais rara que conheço" Ernest Hemingway

27
Mar20

COVID 19 - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES

Boa noite a todos,

Já escrevi sobre as empresas e gostava agora de acrescentar algumas considerações pessoais sobre o tema.

Antes de mais gostava de manifestar o meu contentamento com os números apresentados, à data de hoje (dia em que escrevo a publicação) contamos com 3544 casos confirmados, numero bastante a baixo do que aquele que eu esperava. No entanto, é importante referir que o numero de testes diários que estão a ser realizados estão longe de poder refletir uma realidade diferente, ou seja, na minha opinião temos um numero de infetados 7 ou 8 vezes superior ao indicado, só não chegamos lá, porque ainda não testamos.

Se olharmos para o relatório do dia de hoje (consultar aqui) verificamos que se confirmam 3544 casos e que se aguardam 1995 resultados... Portanto é expectável que o numero de confirmados amanha não ultrapasse os 4500 casos. E se testássemos 10.000 pessoas por dia? Ou 30.000?? A resposta a trará o tempo...

Estando atento aos relatórios e à informação prestada pelas entidades competentes, fico com a sensação que tudo farão para ficar bem na fotografia, e isso deixa-me preocupado. Um dos factos mais alarmantes foi o facto de terem ocultado o primeiro óbito, o óbito do Sr. Mário Veríssimo, amigo de Jorge Jesus, que por lapso revela numa conferência de imprensa a morte do amigo (veja aqui). Apesar de achar que não é tema, porque o mais importante nesta crise e evitar que morram mais, e que morram muitos, do que propriamente discutir quem e quando alguém morre, esperava um pouco mais de seriedade, nunca se podia ter omitido uma morte numa situação como esta. O paciente morreu na 6a feira ou no sábado e só foi confirmado o motivo de falecimento na 2a feira, não é grave, grave é a falta de esclarecimentos.

Outra informação que penso ser importante, e que passa ao lado dos mais distraídos. O nosso Serviço Nacional de Saúde pós ao serviço dos cibernautas uma plataforma que permite avaliar os sintomas, pelo que aproveito para apelar a todos os que lerem esta publicação, antes de ligarem para a linha de apoio SNS24 façam a avaliação no seguinte link: https://www.sns24.gov.pt/avaliar-sintomas/

Achei uma bela iniciativa! Estão de parabéns!

Depois gostaria de frisar também que, na minha modesta opinião, toda esta situação se torna caótica em toda a Europa devido a um tema delicado: a saúde. Nos anos 70-80 os sistemas de saúde na globalidade viviam o seu apogeu, e Portugal era exemplo mundial disso. Tanto cá como lá fora o investimento na saúde era uma grande prioridade e acompanhado por um grande desenvolvimento tecnológico o sector evoluiu bastante. Portugal sempre foi líder, temos em todos os sectores os melhores profissionais do mundo, e na área da saúde nunca fomos, nem somos exceção. Tenho a confiança de que temos em Portugal os melhores médicos do Mundo, mas infelizmente nos últimos 15-20 anos existiu um grande "desinvestimento" na saúde publica, e isso reflete-se no trabalho deles.

É para mim inconcebível, num pais como o nosso, não termos equipamentos de proteção disponíveis para os médios e enfermeiros. É inconcebível para mim o SNS não ter capacidade financeira para comprar medicamentos. É inconcebível tendo em conta a carga fiscal que os cidadãos são sujeitos. É altura do "payback", os cidadãos querem e precisam de garantias, de se sentirem seguros.

Esse desinvestimento revê-se no numero de camas / 100.000 habitantes que poderão consultar aqui.

Reconheço todos os esforços do SNS e agradeço, mas gostava de sugerir aqui a criação de uma linha telefónica ou online para apoio psicológico à globalidade dos portugueses durante este período conturbado. Podia ser uma linha criada em estilo "crowd-founding", no sentido em que pediriam aos psicólogos/psiquiatras para se voluntariarem a ajudar as pessoas. Penso que era importante e gratificante tanto para os profissionais de saúde como para os portugueses.

Os bancos adiaram e bem as prestações do crédito habitação, mas leva-me a perguntar, e então os arrendatários? Aqueles que pagam renda não vão ter direito a nenhum mecanismo de proteção? Parece-me injusto!

As autarquias não deviam estar a oferecer agua e luz! Ou é grátis para todos ou não é grátis para ninguém! Estamos todos no mesmo barco?! Não me parece...

O que pretendia nesta fase era mais um bocadinho de igualdade social. De solidariedade. De responsabilidade das entidades competentes. Mas já me apercebi que estou a pedir de mais, como disse o chef Ljubomir Stanisic "não há colhões" para resolver a questão.

Por fim gostaria de apelar mais uma vez para manterem as regras de higiene pois todo o cuidado é pouco!

Um bem haja a todos!

25
Mar20

COVID 19 - AS EMPRESAS E AS MEDIDAS DE APOIO

Boa tarde meus caros,

Dez dias depois cá estou eu, para desabafar, dar o meu ponto de vista sobre a situação e tentar esclarecer alguns factos que me parecem estar a ser transmitidos de forma pouco clara pelas entidades competentes e meios de comunicação.

Tinha previsto colocar todos os meus pontos de vista numa única publicação, mas penso que se tornaria demasiado extenso e maçador. Optei então por segmentar por tópicos que irei analisar e discutir, e irei programar as publicações para que saia uma por dia durante esta semana.

Tal como o titulo indica hoje vou falar sobre as empresas, as medidas de apoio às empresas (ou da falta delas), como é que podem ser úteis ao funcionamento das empresas, e do impacto que o vírus tem diretamente no funcionamento das empresas.

Então vamos lá começar!

Enquanto diretor geral de uma empresa cuja atividade profissional se enquadra no sector da construção civil, o meu sentimento é de claro e total abandono por parte das entidades competentes. Portugal enquanto "instituição" teve sempre muito esta postura do "deixa andar" mas numa situação tão critica como esta, penso que todos esperávamos um bocadinho mais de seriedade.

Afinal o sol quando nasce, nasce para todos... Mas quando a chuva cai, cai só para alguns... E quando digo isto não me refiro apenas à falta de medidas de apoio às empresas mas no compito geral.

O Estado sabe que a economia vinha a desacelerar no primeiro trimestre e também sabe que em Portugal a gestão das empresas é feita "mensalmente", e que as mesmas não têm grande liquidez ou liquidez suficiente para atravessar este período nefasto. Então a grande medida que o Estado implementa é uma linha de crédito que segundo eles visa capitalizar as empresas... Mentira!

Na minha modesta opinião a linha de crédito não será útil para a maioria das empresas. Primeiro porque à data não sabemos quanto dinheiro vamos precisar para ultrapassar este obstáculo, ou seja, estamos a ser induzidos a recorrer a um crédito para salvaguardar o funcionamento da empresa mas não sabemos se o dinheiro que estamos a pedir emprestado hoje chegará para nos "governarmos" até ao fim disto. Segundo porque as taxas aplicadas são no mínimo ridículas, trata-se de um crédito "normal" que só beneficiará as instituições bancárias chegando ao cumulo de pagar ISUC, que é um imposto de selo sobre utilização de crédito. Em terceiro lugar, o periodo de carência de 9 meses, ou seja, só começaríamos a pagar capital em Janeiro de 2021, o que parece bom na realidade é insuficiente. Vamos prever que esta é uma situação que prolonga até Junho/Julho com um efeito nefasto no turismo, o mercado da construção vai desacelerar bastante, e as empresas pelo final do ano irão estar ainda "mais" descapitalizadas digamos assim. Com esta medida o estado está só a adiar os problemas das empresas, e elas precisam é de garantias. E por fim o facto de exigirem que as empresas apresentem quebras de 20% na faturação nos últimos 60 dias, ou seja, os empresários teriam que ter adivinhado o aparecimento do Coronavírus ou têm de esperar 60 dias para recorrer à linha de crédito. Porque apesar dos créditos estarem a ser aprovados, existe esta regra, que não está claro como será aplicada.

Apresento em seguida o Mapa de Cash Flows de uma simulação que pedimos a uma instituição bancária para um pedido de 300.000,00€.

credito_covid19.jpg

Penso que fica claro com este mapa o quão difícil seria para qualquer empresa suportar este encargo. Para além do mais não é agora que precisamos de apoio financeiro ou de apoio à liquidez, essa necessidade vai surgir mais tarde, precisamente quanto temos de começar a pagar o crédito. Neste momento as empresas precisam de garantias.

Outra medida de apoio que teve impacto direto na gestão da empresa onde trabalho foi o adiamento dos compromissos fiscais. Que da forma como é falado na comunicação social parece que as empresas não vão ter de pagar impostos durante este período de crise, o que não é verdade. Já se falava no adiamento de impostos ainda estávamos longe de dia 20 de Março data na qual as empresas foram "obrigadas" a pagar os seus impostos. Vêm-se adiados os compromissos fiscais referentes ao 2º trimestre do ano, e com duas modalidades de pagamento 3 meses sem juros ou 6 meses com juros a 50% do valor habitual. Mais uma vez, isto empurra as contas a pagar para Junho, em Junho poderemos bem estar a viver o pico de Coronavírus em Portugal, não me parece que faça sentido adiar o pagamento de impostos para essa altura. Faria mais sentido adiar permanentemente os impostos por tempo indeterminado, e depois quando a economia entrar em retoma avaliar os casos e estipular planos de pagamentos às empresas.

E basicamente é isto que podemos retirar das medidas de apoio que existem disponíveis até ao dia de hoje e que podem ser consultadas em https://covid19estamoson.gov.pt/medidas-de-apoio-emprego-empresas/

Relativamente ao impacto direto da pandemia no nosso sector e em particular na empresa onde trabalho tenho a afirmar que para já podia ser bem pior. Trabalhamos num sector especifico que envolve a transformação de matérias primas o que me fazia antever dificuldades a nível do fornecimento das mesmas, o que até à data não se verifica.

O medo nesta fase é transversal, o que está a levar a cancelamentos de encomendas, e consequentemente a uma quebra na faturação. O futuro é imprevisível.

Mas a questão que coloco relativamente ás dificuldades nunca será de "quais" ou "quantas" mas sim de "quando", pois o impacto a longo prazo será certamente mais nocivo que a curto prazo.

A nível geral já estão a ocorrer muitos (demasiados) despedimentos, o que leva também a uma insegurança e quebra no poder de compra geral, que também só nos afetará "a la long".

Mas à que lutar e manter a esperança, sempre acreditando que o nosso tecido político está disposto a fazer a diferença e que no momento certo apresentará novas medidas, mais ajustadas à realidade que se vive atualmente em Portugal.

Por hoje fico por aqui!

A próxima publicação será para falar um pouco sobre os recursos humanos, como estão, e como deveriam estar.

Um bem haja a todos!

 

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